domingo, 5 de março de 2017

CUTTING










 Minhas crises tem sido mais espaçadas, porém mais intensas. Ainda não entendo muito bem o que acontece, e fico pensando na dificuldade das  pessoas que convivem comigo tem para compreender.

Estas últimas semanas, o que predominou foi intolerância, seguida de muita raiva. Sim, raiva. Não das outras pessoas, mas de mim mesma, por não saber lidar com essa explosão de sentimentos, com a imprevisibilidade, com a angústia, com a ansiedade. Já estava irritada há dias e depois de uma discussão, estourei. Precisei ficar trancada sozinha, não queria ver e nem ouvir ninguém. Precisava de tempo. queria acabar com tudo. A dor é muito forte. A dor emocional é muito maior que a física, e eu já tive dois partos. Queima por dentro, vem os pensamentos impulsivos, negativos, a dúvida, os questionamentos, a cabeça não para, tudo se mistura e você fica sem respostas. Então bate o desespero, a desesperança e a vontade de sumir do nada.

Diante disso, ouvi coisas que nunca esperava, mas me colocando no lugar , acho também que seria muito difícil se tivesse que entender algo tão subjetivo.

Penso que o paciente deve perseverar na terapia, mas os familiares também deveriam fazer, eles precisam entender melhor o que se passa para nos ajudar, assim como também devem ter muitas coisas para tratar, como todo ser humano.

Ainda fico pensando o que pode desencadear as crises, dessa vez sei que foi a diminuição do lítio, feito por conta própria, seguida de assunto tratado na terapia, muito difícil para mim.

Precisei recorrer a minha psiquiatra, pois entendi que diante desta situação, precisava de algum ajuste na medicação para me ajudar a superar. Antes eu era mais resistente, achava que poderia resolver sozinha, esperava a próxima consulta, e aí ficava muito pior.

Ainda preciso de tempo, mas acho que estou no caminho da compreensão do que acontece comigo.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Vazio

Todos passam por mim, eu não vejo e não sinto. Tenho um vazio existencial desde sempre, as vezes piora, quando chego a conclusão de que não tenho nada a fazer.
Tenho momentos bons, me sinto bem, mas não consigo agradecer pela minha vida. Eu existo e não vivo.
Achei que tivesse superado o pior da minha infância, mas as coisas voltam mais intensas se não conseguirmos encarar elas.
Estou triste. Briguei com pessoas que amo, não estou conseguindo me esforçar para agradar aqueles que amo. Sei que não devo viver para agradar, mas já que não gosto da minha vida, pelo menos devo fazer bem para quem eu amo.
E nesses momentos tudo é difícil, é um fardo, eu sou um fardo. Eu não consigo me carregar. Eu não gosto de conviver. Eu gosto de coisas simples, mas que não causem grandes modificações na minha rotina.
Consigo identificar que estou em crise, não peço compreensão, mas paciência. Não é fácil para quem convive, mas também não é fácil para mim.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ALUCINAÇÃO

(Belchior)

" A minha alucinação é suportar o dia a dia,

e o meu delírio é viver experiências reais"

O verdadeiro fardo de alguém que não consegue viver de maneira estável, que gostaria de viver a vida com um propósito, viver a própria vida, e não a vida dos outros.



Se tem energia, está maníaca; se está sem energia, está deprimida


Estive hipomaníaca durante aproximadamente um mês. não posso negar, foi bom. Uma energia interminável, acordando cedo, o que é completamente estranho para mim, fazendo muitas coisas, várias ao mesmo tempo.
Estava há uma semana dormindo quatro ou cinco horas por noite. Hoje sei que isso é um alerta. Percebi que não estava bem em um sábado de manhã que tinha prova do meu curso de Pós. Estudei até três horas da madrugada, acordei às seis e enquanto fazia o café, limpei os vidros da cozinha.
Esse foi o primeiro sinal. e fui aproveitando, pensei "se estou sem energia, estou deprimida; se estou com energia, estou maníaca". Resolvi ver o resultado. A terapeuta percebeu e me alertou, achei que fosse cedo, que talvez eu voltasse a dormir. Mas minha cabeça não  parava, na mesma velocidade do meu corpo. Não sei como arrumei tanta coisa para fazer. Fiz compras de coisas repetidas, entrei em discussões desnecessárias por motivos fúteis (disso não me arrependo muito, aproveitei o momento e fiz o que estava há tempos com vontade); enfim, teve o lado muito bom, mas as consequências não foram boas. Fiquei agressiva na direção, impulsiva ; e falo demais, o que não combina nada comigo, não me sinto bem. Na outra sessão , a psicóloga sugeriu que eu falasse com a psiquiatra, porque achou que eu piorei, estava mais exaltada. Então escrevi uma mensagem e ela viu que eu estava eufórica e retirou um antidepressivo. Aos poucos, fui acalmando, os pensamentos ainda muito rápidos, mas o corpo começou a cansar. Ainda não durmo o suficiente, e isso é determinante no meu comportamento. Hoje tive consulta e algumas doses foram alteradas, o lítio foi diminuído por estar alto e a quetiapina foi introduzida para melhorar o sono. Não entendo porque não consigo falar tudo, minha dificuldade de confiar nas pessoas. Ela é minha médica há três anos, preciso falar tudo para meu próprio bem. Mas dei um grande passo, escrevi uma mensagem daquilo que ficou engasgado.
Só quero que passe essas festas de final de ano, elas me perturbam, me deixam nervosa. Não é que eu não goste das datas, eu não gosto é do preparo, das expectativas, da ideia de que tudo vai mudar, de ter que ter planos. Essa pergunta hoje me deixou desequilibrada. Eu tenho um plano e só pensei, não consegui verbalizar. No momento ele não é bom. Minha mente está ocupada com muitas coisas do passado e não consigo visualizar um futuro.






sexta-feira, 28 de outubro de 2016