segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ALUCINAÇÃO

(Belchior)

" A minha alucinação é suportar o dia a dia,

e o meu delírio é viver experiências reais"

O verdadeiro fardo de alguém que não consegue viver de maneira estável, que gostaria de viver a vida com um propósito, viver a própria vida, e não a vida dos outros.



Se tem energia, está maníaca; se está sem energia, está deprimida


Estive hipomaníaca durante aproximadamente um mês. não posso negar, foi bom. Uma energia interminável, acordando cedo, o que é completamente estranho para mim, fazendo muitas coisas, várias ao mesmo tempo.
Estava há uma semana dormindo quatro ou cinco horas por noite. Hoje sei que isso é um alerta. Percebi que não estava bem em um sábado de manhã que tinha prova do meu curso de Pós. Estudei até três horas da madrugada, acordei às seis e enquanto fazia o café, limpei os vidros da cozinha.
Esse foi o primeiro sinal. e fui aproveitando, pensei "se estou sem energia, estou deprimida; se estou com energia, estou maníaca". Resolvi ver o resultado. A terapeuta percebeu e me alertou, achei que fosse cedo, que talvez eu voltasse a dormir. Mas minha cabeça não  parava, na mesma velocidade do meu corpo. Não sei como arrumei tanta coisa para fazer. Fiz compras de coisas repetidas, entrei em discussões desnecessárias por motivos fúteis (disso não me arrependo muito, aproveitei o momento e fiz o que estava há tempos com vontade); enfim, teve o lado muito bom, mas as consequências não foram boas. Fiquei agressiva na direção, impulsiva ; e falo demais, o que não combina nada comigo, não me sinto bem. Na outra sessão , a psicóloga sugeriu que eu falasse com a psiquiatra, porque achou que eu piorei, estava mais exaltada. Então escrevi uma mensagem e ela viu que eu estava eufórica e retirou um antidepressivo. Aos poucos, fui acalmando, os pensamentos ainda muito rápidos, mas o corpo começou a cansar. Ainda não durmo o suficiente, e isso é determinante no meu comportamento. Hoje tive consulta e algumas doses foram alteradas, o lítio foi diminuído por estar alto e a quetiapina foi introduzida para melhorar o sono. Não entendo porque não consigo falar tudo, minha dificuldade de confiar nas pessoas. Ela é minha médica há três anos, preciso falar tudo para meu próprio bem. Mas dei um grande passo, escrevi uma mensagem daquilo que ficou engasgado.
Só quero que passe essas festas de final de ano, elas me perturbam, me deixam nervosa. Não é que eu não goste das datas, eu não gosto é do preparo, das expectativas, da ideia de que tudo vai mudar, de ter que ter planos. Essa pergunta hoje me deixou desequilibrada. Eu tenho um plano e só pensei, não consegui verbalizar. No momento ele não é bom. Minha mente está ocupada com muitas coisas do passado e não consigo visualizar um futuro.






sexta-feira, 28 de outubro de 2016



AH TÁ!!
Cada conselho. Melhor ficar calado.
Um abraço ajuda mais.



PARA AS PESSOAS QUE NÃO AGREGAM NADA. FÚTEIS.
Gatos transmitem uma energia positiva e são verdadeiros, se te procuram, é porque realmente fazem questão da tua companhia. São independentes e nada sociáveis.
Sou verdadeira, não sei ser alguém que não sou. não gosto muito de pessoas. Por isso adoro gatos.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

100%

Perícias e perícias. Não estou mais conseguindo suportar.
Sempre as mesmas perguntas, "há quanto tempo está afastada?", "se sente melhor?", "está depressiva ou eufórica?". Sei que eles devem desempenhar esse papel, mas o fato que é muito cansativo para mim.
Tem dias que me sinto melhor, claro. Acho muito taxativo dizer "hoje estou eufórica", "hoje estou depressiva", não é assim. sei que sou leiga, não sou médica, sei explicar isso, acredito que falta empatia e sensibilidade nesses peritos.
O que acontece é que estou afastada desde agosto do ano passado. Fiquei muito mal, acho que cheguei ao extremo, fui devidamente medicada e amparada e posso afirmar que o processo foi lento e gradual, que eu estava desesperançosa, sem energia e sem acreditar que aquela situação poderia ter volta.
Mas de alguns meses para cá, muito lentamente, estou sentindo melhora, que vem aos poucos, uma vontade de sair, de ler, de arrumar a casa, conversar com a família; voltei a estudar, as coisas estão mais coloridas, antes só enxergava o cinza. Parece pouco e rotineiro, mas é muito importante para mim sentir isso de novo.
Então na última visita aos meus médicos peritos, fui informada que não haverá próxima perícia, pois serei aposentada. De imediato, levei um choque, fui embora e resolvi voltar. Não posso acreditar que uma vida profissional seja vista dessa maneira, "se não está servindo, saia" e de forma brusca, sem dar tempo de assimilar. Tive um chilique, vim para casa e na próxima sei que não vai ter volta.
Mas para minha surpresa, ouvi do psiquiatra do município, que se eu quisesse reverter essa situação, eu deveria levar um laudo da minha médica onde deveria constar a afirmação de que estou melhor, apta 100% para o trabalho. Inacreditável!!! Dessa vez não fui embora. Perguntei quem ali estava 100% para alguma coisa, que isso é impossível. Então disseram que realmente eu estou descontrolada e não posso retornar.
Tudo bem. Tenho uma médica compreensiva e competente, que  elaborou um laudo com veracidade e que agora vou ter o prazer de entregar, de forma íntegra e correta, sem passar por cima dos meus valores e de tudo que já conquistei, respeitando a progressão da minha doença e sabendo valorizar a tão esperada melhora e sobretudo sem arriscar o que consegui superar até aqui.
Vou me aposentar? Vou. Não sei o que vou fazer amanhã, depois, ano que vem. O fato é que agora vou fazer o que não conseguia há algum tempo atrás, o que não acreditava. Hoje sei que quero viver, porque reencontrei aquilo que me dá vontade de viver.
Muitas coisas mudaram, até mesmo a forma de pensar sobre alguns assuntos, meu posicionamento, sinto liberdade para escolher o que quero, estou aprendendo a dizer não, e arrisco dizer que até a minha profissão poderá mudar.
Só peço uma coisa: eu nunca quero ser 100%, é muita hipocrisia e falta de bom senso. Nem mesmo nos meus piores momentos eu almejei isso. Somos humanos, temos falhas, pensamos, podemos estar no ambiente de trabalho e lembrar que deixamos o filho doente em casa. Falta humildade , saber renunciar, aceitar que quando não dá mais, temos que mudar. Enfim, 100% . Eu ainda não acredito que ouvi isso.